8.3.08

A constelação misteriosa do Michelin

Le Grand Vefour - que há dois séculos é uma instituição em Paris com vista para os jardins do Palais Royal – perdeu sua terceira estrela no prestigiado Guia Michelin. Este foi o único restaurante que teve sua constelação destituída, na edição de 2008 da Bíblia da gastronomia francesa. De acordo com o diretor, Jean-Luc Naret, os inspetores que avaliam os restaurantes visitaram o chef Guy Martin entre 10 e 12 meses, durante 2 anos, antes de decidir rebaixá-lo. “O problema é a consistência. Guy Martin não perdeu o seu talento, mas quando se tem um dos 68 melhores restaurantes do mundo, tem que ser bom todos os dias”, disse Naret em entrevista à Associated Press.

Martin que começou sua carreira em uma pizzaria e passou a comandar jantares com a clássica culinária francesa – preferiu não comentar o ocorrido. No momento, ele está envolvido no projeto de um novo restaurante em Boston, chamado Sensing. O restaurante foi inaugurado em 1784 e ostentou uma imponente clientela como Napoleão e sua esposa Josephine, os escritores Victor Hugo, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Colette e André Malraux, de acordo com o seu website.

A edição 2008 do Guia Michelin (disponível em francês e inglês) incluiu 435 estabelecimentos com 1 estrela; 638 com duas; e 26 com três. Apenas um estabelecimento - Le Petit Nice – localizado no sul da cidade de Marselha conquistou o disputado ranking três estrelas. Este também é o primeiro da região a ganhar a mais alta classificação no guia. Fundado em 1917 pelo avô do atual chef Gerald Passedat, a casa é especializada em frutos do mar. Para ele, a premiação é “a consagração de três gerações de chefs” e que sente honrado pela sua família, equipe e clientes”. Seu menu inclui uma moderna interpretação de bouillabaisse, que o restaurante promete ser light e com gosto de mar”.

Naret afirmou que o Le Petit Nice foi premiado por utilizar ingredientes locais e reinterpretar as receitas de sua família com um sabor surpreendente. O Guia Michelin está justificando suas decisões com mais freqüência por conta da repercussão de um livro publicado em 2004 por um antigo ex-inspetor. Ele alegou que o guia havia poucos inspetores para visitar os restaurantes e alguns chefs mantinham suas estrelas apenas por prestígio. O diretor insistiu que o Guia trabalha com agentes anônimos – responsáveis por erguer ou declinar a carreira de um chef – não emitem suas opiniões. Ele ainda disse que cerca de 15 inspetores que trabalham em tempo integral mantêm sigilo inclusive da família. Qualquer inspetor que for descoberto por um restaurante fica impedido de visitar a região onde este está localizado por cinco anos.

Os profissionais viajam cerca de 18 mil quilômetros por ano e visitam, em média, 800 restaurantes e hotéis. E apesar de comerem constantemente na alta gastronomia, o esteriótipo desses gastrônomos anônimos é slim. “É a dieta do Michelin. As mulheres francesas não engordam e os inspetores Michelin também”, disse Naret.

Em 2003, o suicídio do francês Bernard Loiseau após ter perdido sua terceira estrela gerou grande comoção e acendeu o debate sobre as pressões da mídia para com a alta gastronomia. Um ano depois, o Guia sofre novo abalo, agora por um ex-integrante do secreto guia, fundado em 1900. Diante desses escândalos, a organização procura, em 2008, ser mais transparente em suas decisões. Entretanto, a fala de Naret ao mesmo tempo em que tenta demonstrar clareza aponta para uma rede misteriosa e reforça sua credibilidade partindo da negação da identidade de seus agentes. Será saudável manter uma avaliação de restaurantes em tão intrigante trama de mistérios?

7.3.08

Antes de partir: o sabor do café


Dois estranhos com estilos de vida completamente opostos – inclusive os hábitos alimentares – se conhecem num quarto de hospital e iniciam uma amizade intensa com experiências transformadoras. Antes de partir, relata a virada do milionário Edward, interpretado por Jack Nicholson (dono do hospital onde estão internados); e o mecânico Carter, pai de três filhos que não realizou o sonho de ser professor, vivido por Morgan Freeman. A diferença entre os dois homens - que têm em comum a faixa etária e a previsão de no máximo 12 meses de vida – é evidenciada pela alimentação, que ao final da trajetória da dupla deixa bem claro o que representa as escolhas de cada um.

O aforismo de Brillat-Savarin “diga-me o que comes e te direi quem és” é preciso para definir a personalidade de Carter e Edward. O perfil deles foi delimitado no filme a partir do café que eles consomem. Dado relevante, pois os personagens são americanos e, de acordo com pesquisas, os Estados Unidos são os maiores consumidores da bebida no mundo. Carter é fã do popular Chock Full o’Nuts, uma rede de fast food que existe há 75 anos, em Nova Iorque. O personagem, inclusive, coleciona latinhas antigas da bebida, que tem uma função especial para a dupla.
Já Edward é apreciador do Kopi Luwak, conhecido como o café mais caro do mundo, comercializado a 250 euros o quilo. A bebida é produzida na indonésia a partir da digestão de um pequeno marsupial asiático chamado Luwak. Os preparadores recolhem as fezes do Luwak, lavam os grãos cuidadosamente e produzem, assim, aquele que os especialistas consideram o melhor café. Equipado com uma cafeteira-sifão luxosa, o personagem toma frequentemente a bebida, ostentando sua qualidade, sabor e exclusividade. Mesmo no hospital, o Kopi Luwak e o kit de utensílios o acompanha.
Como bom gourmet, o personagem de Jack Nicholson encomenda suas refeições de um renomado restaurante italiano, enquanto Carter aguarda sua sopa de ervilha, da qual reclama do sabor. Os hábitos refinados do amigo Edward não impressionam Carter, que por várias vezes rejeita o convite para degustar o Kopi Luwak, o que deixa Edward indignado. Carter sabe contar a origem do café e diz que prefere o seu instantâneo Chock Full o’Nuts. Ao se lançarem numa aventura emocionante – contrariando os médicos e o bom senso – a dupla compartilha conflitos, alegrias e tristezas. A conviência contribui para o aprendizado, produzindo experiências singulares, capazes de valer por toda uma vida.
Seguindo uma lista de tarefas para serem cumpridas antes de partir, Carter e Edward superam desafios e encontram na simplicidade o prazer de viver. As diferenças produzem afinidades e a interpretação cativante de Nicholson e Freeman traz uma reflexão a respeito da amizade e dos laços afetivos, como os familiares. Uma cena emblemática que envolve os hábitos alimentares é o retorno da viagem. Enquanto Carter é recebido pela família com uma mesa farta e alegre; Edward contrata duas garotas de programas e sente, pela primeira vez, uma imensa solidão. Ao buscar refúgio na comida, entra em desespero ao ver que acabou o sachê do refinado Kopi Luwak e, ao abrir a geladeira, encontra um prato de refeição pronta numa embalagem irritantemente difícil de abrir. É hora de rever os seus valores. As cenas que seguem mostram um milionário quebrantado, capaz de chorar em público ao falar de suas emoções e de reencontrar a alegria nas pequenas coisas. A lista de desejos é seguida rigorosamente até o final – não exatamente da forma como os dois imaginavam – mas de maneira surpreendente, onde o popular Chock Full o’Nuts permeia a narrativa do início ao fim, agregando as diferenças.

1.2.08

Menu indigesto em Davos


A produção e o abastecimento de alimentos foram temas de destaque na 38ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), que aconteceu na semana passada. O encontro, que reuniu cerca de 30 chefes de Estado e um público estimado em 2.500 pessoas, apresentou os desafios da economia global frente a problemas como a crise dos mercados, a iminente recessão dos Estados Unidos e o crescimento populacional. Entre os painéis dedicados à alimentação estavam “Repensando a cadeia alimentar” e “Nós somos bio-imprudentes”.

Uma dos temas polêmicos do encontro foi a alta dos preços dos alimentos, que está causando uma série de problemas em países emergentes. Kamal Nath, ministro do Comércio na Índia, por exemplo, advertiu que o custo da comida duplicou este mês, justamente quando havia a expectativa de que 25 milhões de pessoas teriam condições de fazer entre uma e duas refeições. “No próximo ano vamos discutir isso em Davos”, afirmou.

Os analistas prevêem que os preços dos produtos agrícolas em todo o mundo devem aumentar, principalmente os cereais, devido ao índice de impostos para exportação, a demanda global e especulação. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também soou o alarme destacando que o custo das necessidades nutricionais básicas subiu acentuadamente em muitos países como a África. “Há quinze países vulneráveis à alta dos preços de energia e alimentos. Precisamos de alguns esforços direcionados a estas populações”, disse.

Essa alta se deve a expansão do cultivo de culturas como milho e cana-de-açúcar destinadas ao biocombustível, o que gerou fortes críticas as novas fontes de energia. Antes visto como uma “solução verde” para suprir as necessidades energéticas mundiais, o biocombustível foi o tema do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, presidido por Rajendra Pachauri, Prêmio Nobel da Paz. “Sempre que a produção de combustíveis entrar em conflito com a produção de alimentos, especialmente em um momento de alta dos preços de produtos alimentícios, estamos num território difícil. Em geral, não estou satisfeito com o desvio de áreas de produção de alimentos para combustível”, disse aos jornalistas.

Para Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, o banco Central Americano, os preços de alimentos subiram em 2007 de forma preocupante no mundo inteiro. O mercado aumentou a produção para tentar equilibrar essa demanda crescente (a produção mundial de cereais de 2007 foi de 4,6% maior que a de 2006), mas em volume foi insuficiente. Dois fatores estão por trás da alta da inflação de alimentos: mais bocas para alimentar e a procura por uma energia mais limpa, que ocupa o espaço das plantações. Este impacto simultâneo nos preços recebeu o nome de agflação (agricultura + inflação).

O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar, que pode gerar tanto etanol como açúcar e derivados. Almir Barbassa, diretor-financeiro da Petrobrás, declarou que com a alta do Petróleo, é mais vantajoso direcionar a cana para o etanol ao invés de produção de alimentos. “Os agricultores têm o direito de fazer o que quiser com os seus produtos. É uma escolha dele e não dos mercados”. Talvez esta não tenha sido uma resposta adequada, visto que historicamente o Brasil enfrentou crises de abastecimento por causa do desequilíbrio entre exportações e agricultura de subsistência, gerando maior importação de alimentos. Priorizar os campos para exportação da cana pode desencadear uma crise na agricultura local e, consequentemente, na economia. Vide a história da agricultura e do abastecimento no Brasil.

E, para falar de comida, é preciso comer. Sentir no paladar o preço pago por esta crise mundial da alimentação, mas sem indigestão, é claro, para melhor fluição das idéias. Por isso, a chef Alice Waters cumpriu sua missão em Davos. Ao lado dos chefs David Lindsay e Jennifer Sherman, o trio preparou um jantar com o tema “Comida – Um novo mundo saudável”, utilizando ingredientes locais, fornecidos por agricultores, pescadores, padeiros, viticultores, entre outros, da Suíça.
Os chefs colocaram em pratica o conceito Food Miles, buscando os alimentos mais próximos para fomentar ainda mais as discussões. O jantar aconteceu no dia 23 de janeiro, no Hotel Schatzalp. À mesa, nomes de peso como o jornalista Michel Pollan, Orville Schell e Peter Sellars, que deram sua contribuição ao evento. No menu, sopa de alcachofra com cominho e alho; e polenta de milho vermelho e vegetais grelhados.

Para lidar com os desafios da alimentação contemporânea, é preciso analisar a comida como um gênero de fronteira, que toca o político, o econômico, o social e o cultural. A proposta de desaceleração do crescimento mundial deve servir para avaliar quais são esforços necessários para solucionar a crise energética com o compromisso de preservar a cadeia alimentar e a sustentabilidade do planeta. Comida serve para pensar, agir e transformar.

Ai, que saudade!


“Pensei como devia estar boa a sopa dourada da tia Vicência. Há quantos anos não a provava, nem o leitão assado, nem o arroz de forno da nossa casa”. O civilizado Jacinto da Paris do século XIX deixou para trás a tranqüila serra de Tormes, em Portugal, para desbravar a Cidade das Luzes na esperança de saborear plenamente a delícia de viver. “Não há senão a Cidade, Zé Fernandes, não há senão a Cidade”, dizia Jacinto para seu fiel amigo. As “pequeninas misérias duma Civilização deliciosa” abria o seu apetite. Entretanto, mesmo em meio a este gosto punjente com aroma de novidades, que lhe garantia o status de civilizado, o pobre Jacinto reclamava: “Paris está perdendo sua superioridade. Já não se janta mais em Paris!”.

A saudade da vida simples de Tormes aguardava o momento certo para saciá-lo. Volta e meia, uma pimenta ardia em sua consciência: “Nem a ciência, nem as artes, nem o dinheiro, nem o amor, podiam já dar um gosto intenso e real às nossas almas saciadas. Todo o prazer que se extraíra de criar estava esgotado. Só restava agora, o divino prazer de destruir”. E sorvendo o champanhe coalhado em sorvete, maldizia o Século, a Civilização. Para compreender a tristeza em que se metera sua vivacidade, o amigo Zé Fernandes, não tardava em dar a receita: o retorno às serras de Tormes. Longe da civilização seria possível encontrar sentido, prazer e gosto. “O Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua ilusão e só nela tem a fonte de toda a sua miséria”, retrucava o refinado Príncipe de Tormes.

A sua falta de apetite pela vida, uma desconfortante sensação de saciedade, foi revertida após o encontro com as delícias da serra. “Santo Deus! Há anos não sinto esta fome!”, declarou ao se deparar com uma fumegante travessa de arroz com favas. Seu amigo Zé Fernandes observou que Jacinto “parecia saciar uma velhíssima fome e longa saudade da abundância, rompendo assim, a cada travessa, em louvores mais copiosos”. O motivo de tamanho entusiasmo estava na simplicidade do louro frango assado no espeto e da salada que ele apetecera na horta, temperado com um azeite da serra digno dos lábios de Platão, sem falar no vinho de Tormes, descrito como fresco, esperto, seivoso, “entrando mais na alma que muito poema ou livro santo”.

A experiência de Jacinto, personagem do livro A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz, aponta que a saudade é um tipo de fome, que é saciada pela memória gustativa. Através do gosto, as lembranças podem ser aquecidas e, quando entram em ebulição, revelam o sabor da vida. A comida sacia a alma, alimenta a memória. E, partindo da afirmação de Bergson, que diz que toda consciência é memória - conservação e acumulação do passado no presente -, pode-se destacar o papel da comida nessa construção e preservação da identidade.

As madeleines com chá do escritor francês Marcel Proust recobrou suas memórias de infância e resultou num dos maiores clássicos da literatura, Em Busca do Tempo Perdido. E Jesus Cristo instituiu o pão e o vinho como elementos sagrados para ativar a memória dos cristãos. Esses são alguns exemplos de como a memória aliada à comida é capaz de provocar transformações seja na vida pessoal, nas pessoas que estão em volta ou até para toda humanidade.

A saudade, verbete privilegiado da língua Portuguesa, é comemorada no dia 30 de janeiro. E, gastronomicamente falando, poderia ser definida como o caderno de receitas do cérebro com direito a anotações, observações e rabiscos à caneta. Funciona com o detalhamento de uma ficha técnica, utlizada pelos chefs de cozinha. Basta passar um aroma, que a memória codifica o receituário da saudade.

Confort Food indutrializadoA comida de infância não se restringe apenas aos pratos das mães, tias ou avós. O conceito de Confort Food (comida que conforta) também se estende aos alimentos industrializados. Prova disso é que as décadas de 70 e 80 trouxeram guloseimas que entraram para a história da vida de muitas pessoas. E, basta revê-los nas prateleiras dos supermercados ou comentar numa roda de amigos, para vir à tona deliciosas lembranças.

Um dos ícones gastronômicos dos anos 80 foi o Deditos, da Nestlé. Os biscoitos em formato de palitinho coberto com chocolate aguçavam o paladar da garotada que até hoje, mais crescidinhos, não dispensam este confort food industrializado. Segundo a assessoria de imprensa da Nestlé, o retorno do biscoito veio atender aos apelos nostálgicos dos fãs, manifestado até em comunidades no Orkut como "Corrente volta Deditos” e “Eu adoro Deditos”. O produto foi citado no Almanaque 80 (Ediouro) como um marco da década. Mantendo o mesmo sabor, ele voltou em 2007 numa embalagem mais moderna, prática e maior. O lançamento foi feito nos mercados da região Sul, Sudeste e Centro-oeste. A notícia da volta do Deditos, agora na versão sabor de infância, se espalhou logo, principalmente no boca a boca (literalmente). Agora, a prateleira dos biscoitos tem mais um motivo para uma visita periódica. É a deliciosa pílula da saudade.

Outro industrializado que saiu de linha, mas não retornou, foi o Mirabel. Há citações na internet definindo o waffle como um marco da engenharia alimentar moderna. “Nunca um biscoito waffle foi tão homogêneo e compacto, tão doce e suave. Sua crocância mesclava-se perfeitamente com sua estabilidade, ao contrário de seus concorrentes que se desmanchavam em um dia de calor. Seu tamanho era perfeito, duas mordidas seguidas de longos segundos de degustação. Até a quantidade era bem pensada, oito por pacote, ideal para dividir com aquela pessoa amada, o "banquete a luz de velas" das paixões dos pátios escolares. Feito com o mais nobre dos chocolates, o mais puro dos waffles e um incrível ingrediente secreto, talvez amor (ou provavelmente um substituto químico). Mirabel é uma utopia, não nasce em árvores pois nem mesmo a louvável mãe natureza seria capaz de combinar tão poucos ingredientes com tamanha perfeição.”, diz o texto Tributo ao Mirabel. O wafle também tem comunidades no Orkut com até 3.500 membros.

Fabricado pela Adams, foi sucesso entre jovens e crianças da década de 70, 80 e 90, saindo de linha em 2001. Apesar dos protestos, não há possibilidade de retorno. Aliás, os funcionários da empresa nem sequer lembram do biscoito que ficou na memória de uma geração. A atendente do 0800 153045 não sabia do que se tratava. A assessoria de imprensa informou que desconhecia o produto e passou a ligação para o setor de marketing, que só caía numa secretária eletrônica. Parece que o gosto do Mirabel vai ficar só na memória de quem saboreou por três décadas o lanchinho. Disponível ou não no mercado, o confort food industrializado representa as melhores lembraças da infância. E sempre que o assunto "saudade" entra na mesa, a comida - artesanal ou industrial - é o prato principal porque nutre e alimenta a alma.

23.10.07

Experiências gastronômicas: bolo de farinha de banana verde


Todo domingo eu faço um bolo para presentear pessoas especiais. E sempre busco aperfeiçoar a receita, selecionar bem os ingredientes, testar o paladar, texturas, cores e sabores. No domingo passado (21), fiz o bolo com a farinha de banana verde, que trouxe de Brasília. O produto é fabricado artesanalmente e vem de Acrelândia (Acre).

Rica em nutrientes e vitaminas, a farinha de banana verde auxilia no combate à diabetes, doenças cardiovasculares e perda de peso, se associada em dietas. O mais interessante é que se trata de um produto disponível e faz parte da biodiversidade alimentar brasileira. É fascinante conhecer técnicas de preparo e aproveitamento de nossos ingredientes, desenvolvidas por brasileiros. São criações que proporcionam não só subsistência, mas saúde e preservação da cultura.

O sabor da farinha é forte. Pelo menos na receita que fiz deu para sentir na cor, na textura e no paladar. Além da farinha, coloquei banana picada e canela por cima. Ficou delicioso e nutritivo. Ainda sobrou farinha, vou testar a receita de pão. Quanto mais cozinho, melhor poderei escrever; e quanto mais escrevo, melhor poderei cozinhar. E nessa experiência o paladar vai ficando apurado e a memória transbordando de boas lembranças.

Confraria dos Judas


Na semana passada (16) Tia Paty, minha amiga querida, fez aniversário e resolvi presenteá-la com um jantar saudável. Aproveitei as receitas que aprendi na aula de cozinha vegetariana do Alquimia Culinária e testei com minhas cobaias fiéis: Fernando, Patrícia, Eduardo, Mateus, o chef-mirim, e a convidada especial Nice (mãe da Paty).

Toda quinta-feira nos reunimos para fazer a Confraria dos Judas. O menu não é nada elaborado, mas a diversão é garantida e o prazer de estar junto é o ingrediente principal. Essa é a receita infalível de uma amizade que dura anos e nos traz muita alegria. Nossas reuniões semanais são sempre em torno da comida. E descobrimos que fazer o menu na casa de um ou de outro sai bem mais barato do que comer fora. Por isso, mais um motivo para reunir os amigos em casa.

E a teoria dos Judas acaba de receber um reforço. Um estudo americano da Universidade de Temple (Pensilvânia), realizado entre 2004 e 2006, constatou que para cada refeição semanal fora de casa, a pessoa ganha meio quilo a mais. Para dois almoços ou jantares regulares, engorda 1,25 quilo e, para três, pode contar com cerca de dois quilos suplementares. Ainda bem que no final de semana, garatimos a boa forma em casa.

Para o aniversário da Paty, fizemos tortinha de legumes, bolinho de espinafre e bolo de laranja com o doce da casca (trouxe de Brasília). A tortinha ficou deliciosa e já foi incorporada ao menu. Já o bolinho, precisa ser aperfeiçoado. Mas para minha surpresa, um dos judas, o Eduardo (que olhou torto para o prato), adorou o tal do bolinho de espinafre. Apesar de não ter rolado uma carne como de costume, a turma engoliu a sugestão.

Estamos todos na casa dos 30 e algumas mudanças começam a ser implantadas. A alimentação é uma delas. Depois de muito fast-food, pizzas e “podrão” resolvemos preparar nossa própria comida. É claro que abrimos exceção para a pastelaria do Tauá (Ilha do Governador) e a lendária lanchonete Água Viva (também na Ilha), que tem o melhor brigadeiro do Rio. Que me desculpe a Colher de Pau (vencedora implacável da edição Comer & Beber, da revista Veja Rio). Mas isso é assunto para outra conversa. A comida é assim, um baú de memórias deliciosas.

15.10.07

Apetite


O apetite é um desejo que deve ser estimulado. Sem apetite, a vida fica sem graça, sem sabor, sem gosto. Não dá vontade de provar, experimentar os desafios.

Ah! A vida tem sabor e a fome é um ingrediente indispensável para descobrir e reencontrar o prazer diariamente. Existe fome e sede de justiça, fome de bola, fome de leão e tantas outras que instigam, provocam, desencadeiam reações, apetecem o paladar, confortam, transformam, renovam.

Recentemente, amarguei uma semana sem apetite. Parecia outra pessoa. Não tinha a mesma disposição sem apetite. Na sexta-feira, recobrei a fome e preparei um menu especial com produtos que trouxe do evento Terra Madre (Brasília): arroz vermelho (Vale do Piancó/PB) com feijão Canapu (Piauí), salada de folhas (horta da casa dos meus pais), queijo coalho na brasa e carne temperada com leite à moda do seu Pacheco (meu pai). Simplesmente devorei com vontade, com apetite... com ânimo. Tive certeza de que estava recuperada. Como é bom ter apetite para saborear com prazer tudo que a terra-mãe nos proporciona.

E no domingo, preparei um bolo com a castanha de Bauru, conhecida como castanha do cerrado, que também veio na bagadem de Brasília. A origem é de Pirinópolis (GO). Bati o leite com a castanha e acrescentei à mistura da massa básica do bolo. A cor ficou linda, em tons de marrom. E o sabor também. Ah, como é bom ter apetite! Não dá para cozinhar sem apetite e acho que também na dá para viver. Seja qual for o seu objetivo, tem que ter muita fome. E, no meu caso, não dá para escrever sem apetite “O principal requisito para se escrever bem sobre comida é ter um bom apetite”, A. J. Liebling.

13.4.07

Cartilha de Boas Práticas

A Anvisa elaborou uma cartilha para esclarecer os serviços de alimentação sobre os cuidados para manipular alimentos. A cartilha sobre Boas Práticas de Serviços de Alimentação é voltada para padarias, cantinas, lanchonetes, bufês, confeitarias, restaurantes e cozinhas industriais, entre outros.De forma didática, ela orienta os comerciantes e os manipuladores sobre como preparar, armazenar e vender os alimentos de forma adequada, higiênica e segura, com o objetivo de oferecer produtos saudáveis aos consumidores. As medidas evitam a ocorrência de doenças provocadas pelo consumo de alimentos contaminados.O documento aborda ainda os cuidados com água, lixo e transporte de alimentos. A cartilha pode ser acessada pelo site da Anvisa, no link http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra.pdf.

30.1.07

Saudades da Vovó


Hoje é comemorado o Dia da Saudade e esta terça-feira despretensiosa e chuvosa ficará marcada na minha memória, trazendo doces lembranças da vovó Maria Joana, que partiu para sua morada celestial, deixando o legado de uma vida exemplar, testificada por todos que estiveram em Itaguaí para lhe prestar a última homenagem.

A caminho de Itaguaí, trajeto que sempre fazemos com alegria, cheios de planos e expectativa, o clima era silencioso, em reverência à matriarca baiana que gerou 11 filhos e foi presenteada com 20 netos e 11 bisnetos. A lembrança daquela simpática e carinhosa senhora baixinha, sorridente, com seu vestidinho estampado com flores bem miúdas e delicadas, assim como ela, é de alguém pronto para servir. Vovó não parava quieta, estava sempre fazendo alguma coisa para servir as pessoas que amava. Adorava cuidar de suas plantas, das roseiras vistosas, da horta no quintal, das galinhas. Tinha um prazer enorme em suas atividades e contagiava-nos com uma disposição implacável.

Lembro-me dos ovinhos que retirava das galinhas para nos servir, da jaca, da cana, da jabuticaba, do arroz amarelinho e da batatinha frita em cubinhos. Comida de vó realmente tem um sabor divino, inexplicável, um dom distribuído criteriosamente para essas senhoras tão amáveis e portadoras de uma herança, que hoje em dia está se esvaindo: cuidar de pessoas, servir, dedicar tempo para arrancar um sorriso de alguém e marcar com lembranças como essas que tenho de minha vó. Uma mulher de fibra, exemplar e que sabia como poucos o valor de doar o seu melhor, sem esperar nada em troca.

As férias na casa da vovó em Itaguaí fazem parte da minha memória gustativa, que a cada clarear na minha mente, exala recordações de um tempo inesquecível, saborosamente saudosista. O mais importante na vida são as pessoas, e a forma como lidamos com elas, vale mais que qualquer tesouro, reconhecimento ou prazer. Obrigada vó pelo exemplo que você me deu. Prometo me esforçar para cultivar relacionamentos tão sólidos quanto você. O que a senhora nos deixa não é passageiro, nem corruptível, mas eterno. Que Deus a receba com toda a honra que merece. Agora, os anjos é que vão provar de suas delícias. Bem-aventurados os anjos....

17.1.07

Depois de morrer o homem do macarrão instantâneo, agora é a vez do homem do bolo

Morreu hoje aos 90 anos em uma clínica em Hamburgo (norte da Alemanha) o empresário Rudolf August Oetker, conhecido como o "Dr. Oetker". O anúncio foi feito pelo porta-voz da empresa Dr. Oetker, com sede em Bielefeld, no norte do país. À frente de uma das mais importantes empresas alemãs, famosa por seus bolos instantâneos, doces especiais e fermentos para tortas e pães, Oetker foi um dos protagonistas do renascimento econômico da Alemanha do pós-guerra.

Rudolf August Oetker, neto do farmacêutico e fundador da sociedade "Dr. August Oetker", foi trabalhar na empresa aos 25 anos de idade em 1941, quando esta era ainda uma pequena produtora de fermento e outros ingredientes alimentícios. Quando seu padrinho Richard Kaselowsky e uma parte de sua família morreram em 1944 vítimas de bombardeios, teve de assumir sozinho a liderança da empresa. Em meio século de atividade, Oetker transformou a pequena sociedade de Bielefeld num colosso da indústria alimentícia, que opera em escala global com um faturamento de mais de 7 bilhões de euros. Em 1981, Rudolf Oetker deixou a direção administrativa da empresa para o filho August, mas se manteve como presidente do conselho do grupo.

16.1.07

João Batista já conhecia os benefícios do camarão do deserto

“(...) E alimentava-se de gafanhoto e mel silvestre”, Mateus 3: 4.

João Batista já conhecia já “camarão do deserto” há mais de dois mil anos e este era a base de sua alimentação. A Nigéria também descobriu as virtudes deste vilão das plantações e deu um jeito de exterminá-lo matando outra praga: a fome. Segundo nota na BBC Brasil, o uso de gafanhotos como alimento é bastante popular na região noroeste da Nigéria. Os insetos costumam afetar as plantações, mas os nigerianos dizem que 'dão o troco', comendo-os. Para capturar os gafanhotos, é necessário usar roupas grossas e botas. A lanterna é usada para atrair os insetos e iluminar o caminho no deserto, à noite. Um saco de insetos pode chegar a valer US$ 30 (R$ 64 reais) no mercado em Borno. Antes de fritá-los em óleo vegetal, as cozinheiras tiram as asas dos gafanhotos. Além de saborosos, os gafanhotos são um alimento nutritivo, muito rico em proteína.


Conclusão: João Batista era um homem saudável.

8.1.07

O segredo do Google é a comida

Google não foi eleita a melhor empresa para se trabalhar nos EUA à toa. Não é de hoje que observo o cuidado que a companhia tem com seus funcionários. Certa vez li uma nota que me deixou surpresa. O Google estava selecionando dois chefs de cozinha para elaborar o cardápio da empresa, que oferece refeições gratuitas.

Segue nota - 05/12/2005

"Google oficializou sua busca por chefs de cozinha para tocar o cardápio das refeiçõe de sua sede em Mountain View, na California. Procura 2 profissionais, ou 'executive chefs', capazes de desenvolver menus ecléticos - de comida vegetariana à pizza assada em forno de lenha. O co- fundador Sergei Brin, diz em release que os 2 'engenheiros da culinaria" terao papel importante na "gestao do crescente apetite da companhia' ".

E não é que o cara está certo! Que visão! Por isso, que o Google é o Google. Que estratégia: os engenheiros da culinária têm relação direta com o crescimento da empresa. E isso foi em 2005. De lá pra cá, não precisa dizer o quanto esta empresa cresceu.

Essa declaração me fez lembrar uma citação de Alexandre Dumas no livro "Memórias Gastronômicas". Ele dizia que, no Antigo Regime francês, o cozinheiro governava o estômago e, quem sabe, influenciava os encantadores, ágeis e grandes pensamentos do ministro? . Taí, o google também usa seus cozinheiros para influenciar a mente criativa dos funcionários. Ta dando certo!

O segredo é a comida.... Afinal, uma boa refeição é fundamental para se ter um bom dia de trabalho e, nesse caso, para o bom andamento da empresa. O Google parece saber o quão importante é esse horário de pausa em que a comida muitas vezes fica em segundo plano. Além de ter que resolver compromissos pessoais neste período, a falta de opções saudáveis ao redor dos postos de trabalho, muitas vezes, é escassa. A rotina acaba fazendo com que a alimentação fique relegada a segundo plano, sendo substituída por porções que não fazem bem ao corpo, que dirá à produtividade.

A hora da comida é sagrada no Google! Prova disso é que os funcionários têm tempo para cuidar de sua vida pessoal, sem interferir neste tempo de prazer.


Quem me dera...


Sempre tive problemas para almoçar no trabalho. Valorizo muito o momento de almoço, gosto de mesa posta, comida fresca, com boa aparência e, claro, saborosa. Para minha produtividade ao longo do dia é fundamental almoçar bem. Mas nunca dei muita sorte. Não ter boas opções para comer era um tormento. Poucos entendiam a minha angústia. Volta e meia ia almoçar em lugar legal, aí era festa! O dia ficava com a textura de uma mousse de chocolate: bem leve e areado!

E marmita não é comigo também. Pode parecer frescura.... mas não consigo comer de forma alguma em marmita. O recipiente altera o sabor e não há solução que me faça sorrir para uma marmitex. Já tentei várias, nada deu certo. Eu até chorava na hora do almoço porque era uma tortura saber que não ia comer bem.

Virada carioca

Enfim, deu uma guinada na minha vida e fui trabalhar em casa, aí sim. Como eu comemorei! Poderia almoçar todos os dias uma comidinha saborosa, caseira mesma, feita por mim. Nada melhor e mais motivador. E há dois anos tenho essa rotina de almoçar em casa. Faço questão de conciliar meus compromissos antes ou depois do almoço. A maior vantagem dessa mudança foi comer em casa. E isso refletiu de forma positiva na minha vida profissional.

Agora, com a Malagueta, almoço sempre na casa da Carol, que tem uma comida saborosa, a qual já me acostumei e saboreio com vontade, como se estivesse na minha casa. Eta comida boa! Aprendi até a comer arroz integral. Enfim, sempre almoço em casa. É muito raro não fazer minha refeição predileta em meu lar doce lar ou na casa da Carol. Adoro isso! Me faz bem.



Comida em destaque na tecnologia

Hoje, ao ler a nota de que o Google era a melhor empresa dos EUA, corri para ver o que dizia sobre o quesito alimentação e minha admiração só aumentou. A nota destaca exatamente esse ponto.

“a variedade de alimentos disponibilizados gratuitamente aos empregados acaba por chamar a maior atenção. Além dos cafés e restaurantes espalhados pelos escritórios, no Google há salas de lanche com barras de cereais, doces, iogurtes, refrigerantes, frutas, e uma dúzia de diferentes bebidas. E não é só a variedade: a comida é tão boa que alguns chegam a sonhar com ela, como o diretor de recursos humanos Stacy Sullivan, fã da farinha de aveia irlandesa com grãos de café frescos.”

O cafezinho, outro momento importante do trabalho, é exaltado na companhia. Os funcionários têm uma hora para o café, que agrega muitas vantagens no trabalho. Nada menos do 11 cafeterias para deixar o funcionário com a memória bem arejada e esperto!

A prova de todo esse investimento são os lucros, que não param de crescer. Viva a comida e seus benefícios para a tecnologia!

3.1.07

100 anos depois, a indústria de alimentos ainda é “A selva”

The New York Times

Nada no “A selva” se prende ao leitor tanto quanto o que foi dentro das salsichas. Havia o presunto apodrecido que não podia mais ser vendido como presunto. Havia as fezes do rato, veneno de rato e ratos envenenados inteiros. Mais refrescante, havia as coisas sem nome “que em comparação com o que o rato envenenado, era um bocado”.

Upton Sinclair escreveu “A selva” como um trabalho revelado. Ele esperava que o livro, que foi anunciado como “A cabine do tio Tom de escravidão de salários”, levaria a melhorias para as pessoas para quem ele dedicou o livro, “os homens trabalhadores da América”. Mas leitores do “A selva” ficaram menos chocados com as descrições horríveis das condições de trabalho do que sobre o que eles aprenderam sobre suas comidas. “Eu mirei no coração do público”, ele declarou, “e por acidente eu atingi o estômago”.

“A selva”, e a campanha que Sinclair fez depois de sua publicação, levou diretamente a passagem de uma lei de limite federal de segurança de alimentos, que completou 100 anos essa semana. Sinclair acordou a nação não somente para os perigos do suprimento de alimentos, mas para o papel central do governo em mantê-lo seguro. Mas os envenenamentos dos comedores de espinafre e clientes do Taco Bell recentemente tornaram claro, a batalha está longe de acabar – e nos últimos anos, nós estamos indo para a direção errada.

Quando “A selva” foi publicada, a reação pública foi instantânea. Leitores indignados inundaram o presidente Theodore Roosevelt com cartas. Roosevelt era ambivalente, mas ele convidou Sinclair para almoçar na Casa Branca, e prometeu mandar seu encarregado da força de trabalho e assistente da Secretária do Tesouro para Chicago para investigar.

Sinclair foi para um hotel em Nova York e começou uma campanha publicitária. Ele escreveu artigos com títulos como “Campanha contra os envenenadores de atacado da comida da nação”, e lançou mais detalhes de revirar o estômago. Armour fez seus presuntos conservados, ele anunciou, pegando pedaços de bife defumado, “mofado e cheio de vermes”, e incrementando-os com restos de presunto. Em uma carta do jornal para o editor, ele desafiou J. Ogden Armour, o magnata dos frigoríficos, a processar por difamação.

Sinclair suspeitou que o time de Roosevelt faria uma ocultação. Mas seu relatório reforçou as alegações do “A selva”. Incluía uma exibição das imagens de Sinclair, como trabalhadores usando o toalete sem sabonete ou papel higiênico e retornando “diretamente desses lugares para mergulhar suas mãos não lavadas na carne”. A indignação pública continuou a crescer, e o momento para a reforma se tornou impossível de parar.
Como resultado da cruzada de Sinclair, o congresso passou o Ato de Comidas e Drogas, que foi efetivamente bloqueado pela indústria, e a nova lei montou um sistema de inspeções federais. Comida tinha que ser rotulada, e era ilegal adulterar seu conteúdo. Leis futuras expandiriam nessa nova e declarada responsabilidade governamental para garantir a segurança da oferta de alimentos da nação.

Nos últimos anos, o momento mudou. Desde a era Reagan, conservadores tentaram transformar a “regulação governamental” em um epíteto. Livros como “A morte do senso comum”, um campeão de vendas de 1990, alterou os fatos para argumentar que leis como a regulamentação requerendo que restaurantes lavem os pratos de uma maneira que mate a salmonela, são, de alguma maneira, uma violação da liberdade.

Segurança de alimentos foi particularmente atingida por esse clima anti-regulatório. Bactérias nocivas são extremas em instalações de frigoríficos e em campos de produção, mas a vigilância do governo está se desgastando. A administração Bush reduziu o número de inspetores da Administração de Comida e Droga, e instalou um ex-lobista da indústria de gado como o chefe do Departamento de Agricultura. Mas esse é um diferente momento promissor para a segurança de alimentos. Ampla atenção da mídia foi dada para a contaminação de espinafre do último outono, que matou três e prejudicou mais de 200 em 26 estados, e para a intoxicação da comida do Taco Bell, que deixou dúzias de pessoas doentes.

E democratas adquiriram novamente o Congresso, que deve ter audiências para chegar ao fim desses recentes desastres de comida e de explorar quais deverão ser os próximos. Isso deverá dar maiores orçamentos para inspeções de alimentos e, como as leis patrocinadas pelos democratas pedem, criar uma única agência federal responsável por segurança de alimentos.
As poderosas indústrias de carne e produção podem contar em chamar seus aliados no Congresso e na Casa Branca para ajudar a resistir. Isso não seria surpresa para Sinclair, que já reclamava em 1906 que Armour & Co. contribuiu com US$ 50.00 para o partido republicano, e que as indústrias de carne contrataram um oficial proeminente do governo “como conselheiro confidencial para problemas de inspeção federal”.
A resposta, acreditava Sinclair, era sempre a mesma: prover para a população americana a verdade de que eles precisam se proteger. “A origem de uma reforma genuína nesse assunto”, Sinclair insistiu, “é uma opinião pública esclarecida”.

Adam Cohen

2.1.07

Prep Kitchen: comida saudável sem trabalho

Patti Coulthard é uma inglesa solteira com uma agenda de trabalho frenética, que adora convidar os amigos para jantares e variar o cardápio em cada ocasião.

Mas, em vez de passar horas em supermercados, mercearias, peixarias e açougues, e depois virar escrava do fogão, ela optou pelo novo conceito de cozinha da Inglaterra - a chamada “prep kitchen”, ou cozinha preparada, da Dinners Made.

A idéia é simples. Você reserva uma sessão numa cozinha impecável, onde seu trabalho se resume a escolher um prato e prepará-lo. Toda a parte chata e trabalhosa fica por conta da empresa: uma ajudante faz as compras, pica ingredientes e lava a louça. No cardápio, cada prato vem com instruções passo-a-passo.

Alguns minutos depois de chegar à Dinners Made em Richmond, a oeste de Londres, Coulthard já está vestida com o kit de avental e luvas de látex e ocupada em temperar filés de peixe com tarragon, dill, pimenta do reino e azeite de oliva.

“Se você não tem muito tempo, isso é simplesmente fantástico”, disse ela à Reuters. “Todos os alimentos são frescos, você sabe exatamente o que está acontecendo, e o sabor é ótimo”.

Menos de meia hora mais tarde, Coulthard vai para casa com seis porções de peixe com creme de pimenta vermelha para seus convidados - enquanto os funcionários da cozinha já estão limpando, lavando e cortando os ingredientes frescos para o próximo cliente.

O conceito de cozinhas preparadas foi introduzido nos Estados Unidos há cerca de cinco anos, e mais de 1.000 cozinhas desse estilo já abriram nos últimos anos.

Cozinha industrial

Os fãs da idéia dizem que é divertido criar quantidades relativamente grandes de comida saudável por um bom preço - a uma média de 3 libras (cerca de US$ 5,90) por pessoa.
Steve Cox, sócio de Lloyd e chefe de cozinha responsável pela loja inaugural da Dinners Made, diz que é uma idéia oportuna que vai preencher um nicho crescente no mercado de alimentação britânico.

Isso por que, segundo ele, o governo britânico quer incentivar formas de alimentação mais saudável para evitar as crescentes ameaças de obesidade e diabetes. “Nosso alvo são as mamães gulosas e profissionais ocupados, mas também, por causa do preço, é uma boa opção para famílias normais que querem comer comida caseira com qualidade de restaurante”, disse ele à Reuters.

“Nossa principal vantagem é que os alimentos são frescos - você pode ver isso, sentir, cheirar, tocar - você sabe exatamente o que foi colocado em cada prato porque é você quem prepara”.
Cox, que também é dono do restaurante Lone Star em Barbados e se define como um consultor de alimentação, rejeita as críticas de que Dinners Made não é nada mais do que uma linha de produção.

“Há também um pouco de aprendizado”, diz ele. “E as pessoas podem experimentar aqui coisas que elas nunca fariam em casa”.

“Temos um suflê de espinafre e parmesão em nosso menu. A maioria das pessoas iria pensar ‘Meu Deus, um suflê! Nunca vou conseguir fazer isso’. Mas você segue as instruções e pode levá-lo para casa para congelar ou prepará-lo na hora”.

29.12.06

De domingo a domingo, 24 horas por dia.... é Dia de Feira!

A feira é um lugar de encontros onde circulam pessoas, moedas, alimentos e sorrisosLugar de colheita fresca e farta que alimenta o corpo e a alma
Lugar de novidades e negóciosLugar de provar, experimentarLugar de companheiros e concorrentes
A feira é um lugar de descobertas das melhores safras No vaivém de pessoas e troca de reais por mercadoriasA frenética correriaE o ecoar das vozes forma uma sonoridade viva e contínuaEm meio a essa melódica balbúrdia, descobre-se frutas, ervas, verduras, que vão para a mesa como um troféu, uma conquistaSensação deliciosa é voltar da feira abarrotado de sacolas e transformar essas relíquias, escolhidas a dedo, selecionadas criteriosamente, para alimentar quem se ama.

Dizem que feira é um lugar de desordem, mas é no meio dessa movimentação que se encontram jóias comestíveis, assim como na vida. Nessa agitação, temos que arrancar raízes, plantar sementes, frutificar, florescer, colher, desfrutar e apresentar, como feirantes, nossas variedades de flores e frutos

Se comida é memória, a feira é o banco de dados autalizadíssimo, depósito confiável de sabor e emoção. Lugar de relembrar o passado, viver o presente e aguardar o futuro.... a colheita, a época certa, assim como na vida.

Que o ano de 2007 seja uma feira livre, diversificada, saborosa, cheia de conquistas esperadas e surpreedentes. Que sejam segundas, terças, quartas e quintas feiras fartas!Que seja o ano de sua melhor colheita sob uma estação constante de abundância. Que sua feira seja aberta a todos, onde se possam dividir frutos e plantar tantos outros. Ah! E não se esqueça de colocar uma pimentinha....


Feliz 2007!

28.12.06

Dia do chocolate e da comida vegetariana

Hoje nos Estados Unidos é dia o dia do Chocolate e da comida vegetariana. Que contraste!

Esse ano tive uma grata surpresa em relação à comida vegetariana ao ler o livro Arqueologia Culinária da Índia, da Fernanda de Camargo- Moro, uma arqueóloga apaixonada pela Índia e por comida. Baseada em suas constantes viagens àquele país a trabalho, ela mapeou a gastronomia indiana de forma envolvente. Através desse livro, passei a admirar esta culinária que pouco conhecia. Fernanda traduziu com tanta paixão esta cultura, que cheguei em alguns momentos a ficar com água na boca com a descrição de certos pratos vegetarianos. O perfume, os sabores frescos, o zelo, a preparação e todo ritual dão aos ocidentais um exemplo da importância de ter firmada sua identidade culinária. Entre as explicações, Fernanda diz que os Jainas são vegetarianos mais rigorosos e que representam apenas 5% da população. Entendi que a culinária indiana é saudável, saborosa e feito por pessoas apaixonadas por sua cultura.

Sobre os vegetarianos, Alexandre Dumas tem uma irônica declaração: ”São os bois os destinados a comer capim e concorrer ao título de boi gordo”.

Qto ao chocolate.... esse é irresitível! Como chocolate quase todos os dias e não me faço de rogada quando vem aquela vontade de fazer brigadeiro e devorar às colheradas na panela mesmo. Tem um livro que saiu recentemente sobre chocolate.... ainda não tive a oportunidade de ler.

27.12.06

Rádio Comida

Olha que idéia bacana! uma grupo teatral lá de Sorocaba (SP) anima as noites da cidade fazendo paródias de tudo quanto é ritmo só que falando de comida. Um barato. Criativo e gastronômico. Assim, Cássia Alho, Caetano Cremoso, Café Ramalho, Sidney Mingau e Batata Quebra Barraco divertem quem vai curtir uma noitada e ser supreende com a atuação de Fernando Kudder (voz), Juan Lomardo (voz e violão) e Alexandre Franklin, o Ovelha, (voz).

Se a pedida é Alceu Valença, o famoso verso “na bruma leve das paixões que vem de dentro”, se transforma em “a clara em neve dá aqui que eu vou batendo”, de Alceu Polenta.E a clássica “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, ganha uma versão mais suculenta: “Eu tô com a panela dos refogados, eu tô cozinhando, vê se não deixa queimar”.

A comida está na arte, é só buscar que encontra.

Quero ver comida no cinema, nas artes plásticas, na dança, no teatro, na TV e em qualquer manifestação artística que tenha como tema o ser humano. Quer sentimento mais viceral do que a fome?




“

15.12.06

Bolo em homenagem a África só para japonês ver

Quem acha que japonês só gosta de comida crua, está muito enganado. Além de demonstrar impecável zelo pela sua alimentação, eles a exibem como verdadeiras jóias, como esta, exposta na loja Hello Kitty.A loja Hello Kitty, localizada em Osaka, no Japão, está vendendo um bolo de chocolate de Natal cravejado com 100 diamantes (cerca de 50 quilates). Com 35 centímetros de altura, o doce foi concebido para representar a África. O bolo exclusivo custa 100 milhões de yens (R$ 1.820.700,00). Para que a homenagem à África seja realmente justa, a renda desta iguaria gastronômica, deveria ser doada para os africanos.

8.12.06

Sushi, o sabor milenar; japão, a gastronomia exemplar

Parafaseando nosso poeta Vinícius de Moraes, que me desculpem os franceses, mas a culinária japonesa é exemplar. A forma como o japonês lida com a comida é fascinante. Até nos pratos mais simples, é possível observar o zelo impecável, que se reflete em todas as atividades. Os japoneses, afinal, são conhecidos pela paciência, perseverança, riqueza nos detalhes e... paixão pela comida. O livro Suhsi, o sabor milenar relata a experiência de um brasileiro que se encantou com com a gastronomia nipônica e se empenhou em compartilhar de forma acessível e atraente a alimentação no japão. Muitas coisas me chamaram a atenção e, se já tinha uma ídéia desse perfil japones, após o livro fiquei convencida de que o Japão é uma grande potência porque tem uma identidade alimentar bem definida e sabe dar valor à sua terra. Temos muito a aprender com eles, não a fazer sushis ou sashimis (pode ser também), mas a levantar a bandeira do que é essencial.

Tudo em um sushi-ya (especializado em sushi) tem relação direta com a comida, tudo pode influenciar e colaborar para criar um ambiente propício a explorar o máximo de sabor.

Desde à escolha dos ingredientes sempre frescos, o corte, a postura do itame-san( preparador de sushi. Sushiman é uma forma americana abominável pelos japas) a forma de preparo dos ingredientes, a apresentação, a alegria em servir, o sincronismo coreográfico dos pratos tem uma razão de ser e me apeteceram. Não sou ainda uma apreciadora rendida desta comida, mas confesso que minha boa se encheu d'água em muitos trechos do livro.

Não vejo a hora de adentrar neste universo fascinante da culinária japonesa. Ainda pretendo me alongar neste tema, mas por enquanto deixo a frase do Sérgio Neville para reflexão: "O prazer e a degustação inteligente, porém, estão na fruição do autêntico, e não no tamanho do prato ou da conta".

E viva a gastronomia nacional!

25.11.06

Monografia gastronômica

Hj finalmente conclui minha monografia gastronômica que fala sobre a influência da TV nos hábitos alimentares e sua importância para alavancar o processo de valorização da gastronomia brasileira como um patrimônio cultural.

Deus é fiel!!!