30.1.07

Saudades da Vovó


Hoje é comemorado o Dia da Saudade e esta terça-feira despretensiosa e chuvosa ficará marcada na minha memória, trazendo doces lembranças da vovó Maria Joana, que partiu para sua morada celestial, deixando o legado de uma vida exemplar, testificada por todos que estiveram em Itaguaí para lhe prestar a última homenagem.

A caminho de Itaguaí, trajeto que sempre fazemos com alegria, cheios de planos e expectativa, o clima era silencioso, em reverência à matriarca baiana que gerou 11 filhos e foi presenteada com 20 netos e 11 bisnetos. A lembrança daquela simpática e carinhosa senhora baixinha, sorridente, com seu vestidinho estampado com flores bem miúdas e delicadas, assim como ela, é de alguém pronto para servir. Vovó não parava quieta, estava sempre fazendo alguma coisa para servir as pessoas que amava. Adorava cuidar de suas plantas, das roseiras vistosas, da horta no quintal, das galinhas. Tinha um prazer enorme em suas atividades e contagiava-nos com uma disposição implacável.

Lembro-me dos ovinhos que retirava das galinhas para nos servir, da jaca, da cana, da jabuticaba, do arroz amarelinho e da batatinha frita em cubinhos. Comida de vó realmente tem um sabor divino, inexplicável, um dom distribuído criteriosamente para essas senhoras tão amáveis e portadoras de uma herança, que hoje em dia está se esvaindo: cuidar de pessoas, servir, dedicar tempo para arrancar um sorriso de alguém e marcar com lembranças como essas que tenho de minha vó. Uma mulher de fibra, exemplar e que sabia como poucos o valor de doar o seu melhor, sem esperar nada em troca.

As férias na casa da vovó em Itaguaí fazem parte da minha memória gustativa, que a cada clarear na minha mente, exala recordações de um tempo inesquecível, saborosamente saudosista. O mais importante na vida são as pessoas, e a forma como lidamos com elas, vale mais que qualquer tesouro, reconhecimento ou prazer. Obrigada vó pelo exemplo que você me deu. Prometo me esforçar para cultivar relacionamentos tão sólidos quanto você. O que a senhora nos deixa não é passageiro, nem corruptível, mas eterno. Que Deus a receba com toda a honra que merece. Agora, os anjos é que vão provar de suas delícias. Bem-aventurados os anjos....

17.1.07

Depois de morrer o homem do macarrão instantâneo, agora é a vez do homem do bolo

Morreu hoje aos 90 anos em uma clínica em Hamburgo (norte da Alemanha) o empresário Rudolf August Oetker, conhecido como o "Dr. Oetker". O anúncio foi feito pelo porta-voz da empresa Dr. Oetker, com sede em Bielefeld, no norte do país. À frente de uma das mais importantes empresas alemãs, famosa por seus bolos instantâneos, doces especiais e fermentos para tortas e pães, Oetker foi um dos protagonistas do renascimento econômico da Alemanha do pós-guerra.

Rudolf August Oetker, neto do farmacêutico e fundador da sociedade "Dr. August Oetker", foi trabalhar na empresa aos 25 anos de idade em 1941, quando esta era ainda uma pequena produtora de fermento e outros ingredientes alimentícios. Quando seu padrinho Richard Kaselowsky e uma parte de sua família morreram em 1944 vítimas de bombardeios, teve de assumir sozinho a liderança da empresa. Em meio século de atividade, Oetker transformou a pequena sociedade de Bielefeld num colosso da indústria alimentícia, que opera em escala global com um faturamento de mais de 7 bilhões de euros. Em 1981, Rudolf Oetker deixou a direção administrativa da empresa para o filho August, mas se manteve como presidente do conselho do grupo.

16.1.07

João Batista já conhecia os benefícios do camarão do deserto

“(...) E alimentava-se de gafanhoto e mel silvestre”, Mateus 3: 4.

João Batista já conhecia já “camarão do deserto” há mais de dois mil anos e este era a base de sua alimentação. A Nigéria também descobriu as virtudes deste vilão das plantações e deu um jeito de exterminá-lo matando outra praga: a fome. Segundo nota na BBC Brasil, o uso de gafanhotos como alimento é bastante popular na região noroeste da Nigéria. Os insetos costumam afetar as plantações, mas os nigerianos dizem que 'dão o troco', comendo-os. Para capturar os gafanhotos, é necessário usar roupas grossas e botas. A lanterna é usada para atrair os insetos e iluminar o caminho no deserto, à noite. Um saco de insetos pode chegar a valer US$ 30 (R$ 64 reais) no mercado em Borno. Antes de fritá-los em óleo vegetal, as cozinheiras tiram as asas dos gafanhotos. Além de saborosos, os gafanhotos são um alimento nutritivo, muito rico em proteína.


Conclusão: João Batista era um homem saudável.

8.1.07

O segredo do Google é a comida

Google não foi eleita a melhor empresa para se trabalhar nos EUA à toa. Não é de hoje que observo o cuidado que a companhia tem com seus funcionários. Certa vez li uma nota que me deixou surpresa. O Google estava selecionando dois chefs de cozinha para elaborar o cardápio da empresa, que oferece refeições gratuitas.

Segue nota - 05/12/2005

"Google oficializou sua busca por chefs de cozinha para tocar o cardápio das refeiçõe de sua sede em Mountain View, na California. Procura 2 profissionais, ou 'executive chefs', capazes de desenvolver menus ecléticos - de comida vegetariana à pizza assada em forno de lenha. O co- fundador Sergei Brin, diz em release que os 2 'engenheiros da culinaria" terao papel importante na "gestao do crescente apetite da companhia' ".

E não é que o cara está certo! Que visão! Por isso, que o Google é o Google. Que estratégia: os engenheiros da culinária têm relação direta com o crescimento da empresa. E isso foi em 2005. De lá pra cá, não precisa dizer o quanto esta empresa cresceu.

Essa declaração me fez lembrar uma citação de Alexandre Dumas no livro "Memórias Gastronômicas". Ele dizia que, no Antigo Regime francês, o cozinheiro governava o estômago e, quem sabe, influenciava os encantadores, ágeis e grandes pensamentos do ministro? . Taí, o google também usa seus cozinheiros para influenciar a mente criativa dos funcionários. Ta dando certo!

O segredo é a comida.... Afinal, uma boa refeição é fundamental para se ter um bom dia de trabalho e, nesse caso, para o bom andamento da empresa. O Google parece saber o quão importante é esse horário de pausa em que a comida muitas vezes fica em segundo plano. Além de ter que resolver compromissos pessoais neste período, a falta de opções saudáveis ao redor dos postos de trabalho, muitas vezes, é escassa. A rotina acaba fazendo com que a alimentação fique relegada a segundo plano, sendo substituída por porções que não fazem bem ao corpo, que dirá à produtividade.

A hora da comida é sagrada no Google! Prova disso é que os funcionários têm tempo para cuidar de sua vida pessoal, sem interferir neste tempo de prazer.


Quem me dera...


Sempre tive problemas para almoçar no trabalho. Valorizo muito o momento de almoço, gosto de mesa posta, comida fresca, com boa aparência e, claro, saborosa. Para minha produtividade ao longo do dia é fundamental almoçar bem. Mas nunca dei muita sorte. Não ter boas opções para comer era um tormento. Poucos entendiam a minha angústia. Volta e meia ia almoçar em lugar legal, aí era festa! O dia ficava com a textura de uma mousse de chocolate: bem leve e areado!

E marmita não é comigo também. Pode parecer frescura.... mas não consigo comer de forma alguma em marmita. O recipiente altera o sabor e não há solução que me faça sorrir para uma marmitex. Já tentei várias, nada deu certo. Eu até chorava na hora do almoço porque era uma tortura saber que não ia comer bem.

Virada carioca

Enfim, deu uma guinada na minha vida e fui trabalhar em casa, aí sim. Como eu comemorei! Poderia almoçar todos os dias uma comidinha saborosa, caseira mesma, feita por mim. Nada melhor e mais motivador. E há dois anos tenho essa rotina de almoçar em casa. Faço questão de conciliar meus compromissos antes ou depois do almoço. A maior vantagem dessa mudança foi comer em casa. E isso refletiu de forma positiva na minha vida profissional.

Agora, com a Malagueta, almoço sempre na casa da Carol, que tem uma comida saborosa, a qual já me acostumei e saboreio com vontade, como se estivesse na minha casa. Eta comida boa! Aprendi até a comer arroz integral. Enfim, sempre almoço em casa. É muito raro não fazer minha refeição predileta em meu lar doce lar ou na casa da Carol. Adoro isso! Me faz bem.



Comida em destaque na tecnologia

Hoje, ao ler a nota de que o Google era a melhor empresa dos EUA, corri para ver o que dizia sobre o quesito alimentação e minha admiração só aumentou. A nota destaca exatamente esse ponto.

“a variedade de alimentos disponibilizados gratuitamente aos empregados acaba por chamar a maior atenção. Além dos cafés e restaurantes espalhados pelos escritórios, no Google há salas de lanche com barras de cereais, doces, iogurtes, refrigerantes, frutas, e uma dúzia de diferentes bebidas. E não é só a variedade: a comida é tão boa que alguns chegam a sonhar com ela, como o diretor de recursos humanos Stacy Sullivan, fã da farinha de aveia irlandesa com grãos de café frescos.”

O cafezinho, outro momento importante do trabalho, é exaltado na companhia. Os funcionários têm uma hora para o café, que agrega muitas vantagens no trabalho. Nada menos do 11 cafeterias para deixar o funcionário com a memória bem arejada e esperto!

A prova de todo esse investimento são os lucros, que não param de crescer. Viva a comida e seus benefícios para a tecnologia!

3.1.07

100 anos depois, a indústria de alimentos ainda é “A selva”

The New York Times

Nada no “A selva” se prende ao leitor tanto quanto o que foi dentro das salsichas. Havia o presunto apodrecido que não podia mais ser vendido como presunto. Havia as fezes do rato, veneno de rato e ratos envenenados inteiros. Mais refrescante, havia as coisas sem nome “que em comparação com o que o rato envenenado, era um bocado”.

Upton Sinclair escreveu “A selva” como um trabalho revelado. Ele esperava que o livro, que foi anunciado como “A cabine do tio Tom de escravidão de salários”, levaria a melhorias para as pessoas para quem ele dedicou o livro, “os homens trabalhadores da América”. Mas leitores do “A selva” ficaram menos chocados com as descrições horríveis das condições de trabalho do que sobre o que eles aprenderam sobre suas comidas. “Eu mirei no coração do público”, ele declarou, “e por acidente eu atingi o estômago”.

“A selva”, e a campanha que Sinclair fez depois de sua publicação, levou diretamente a passagem de uma lei de limite federal de segurança de alimentos, que completou 100 anos essa semana. Sinclair acordou a nação não somente para os perigos do suprimento de alimentos, mas para o papel central do governo em mantê-lo seguro. Mas os envenenamentos dos comedores de espinafre e clientes do Taco Bell recentemente tornaram claro, a batalha está longe de acabar – e nos últimos anos, nós estamos indo para a direção errada.

Quando “A selva” foi publicada, a reação pública foi instantânea. Leitores indignados inundaram o presidente Theodore Roosevelt com cartas. Roosevelt era ambivalente, mas ele convidou Sinclair para almoçar na Casa Branca, e prometeu mandar seu encarregado da força de trabalho e assistente da Secretária do Tesouro para Chicago para investigar.

Sinclair foi para um hotel em Nova York e começou uma campanha publicitária. Ele escreveu artigos com títulos como “Campanha contra os envenenadores de atacado da comida da nação”, e lançou mais detalhes de revirar o estômago. Armour fez seus presuntos conservados, ele anunciou, pegando pedaços de bife defumado, “mofado e cheio de vermes”, e incrementando-os com restos de presunto. Em uma carta do jornal para o editor, ele desafiou J. Ogden Armour, o magnata dos frigoríficos, a processar por difamação.

Sinclair suspeitou que o time de Roosevelt faria uma ocultação. Mas seu relatório reforçou as alegações do “A selva”. Incluía uma exibição das imagens de Sinclair, como trabalhadores usando o toalete sem sabonete ou papel higiênico e retornando “diretamente desses lugares para mergulhar suas mãos não lavadas na carne”. A indignação pública continuou a crescer, e o momento para a reforma se tornou impossível de parar.
Como resultado da cruzada de Sinclair, o congresso passou o Ato de Comidas e Drogas, que foi efetivamente bloqueado pela indústria, e a nova lei montou um sistema de inspeções federais. Comida tinha que ser rotulada, e era ilegal adulterar seu conteúdo. Leis futuras expandiriam nessa nova e declarada responsabilidade governamental para garantir a segurança da oferta de alimentos da nação.

Nos últimos anos, o momento mudou. Desde a era Reagan, conservadores tentaram transformar a “regulação governamental” em um epíteto. Livros como “A morte do senso comum”, um campeão de vendas de 1990, alterou os fatos para argumentar que leis como a regulamentação requerendo que restaurantes lavem os pratos de uma maneira que mate a salmonela, são, de alguma maneira, uma violação da liberdade.

Segurança de alimentos foi particularmente atingida por esse clima anti-regulatório. Bactérias nocivas são extremas em instalações de frigoríficos e em campos de produção, mas a vigilância do governo está se desgastando. A administração Bush reduziu o número de inspetores da Administração de Comida e Droga, e instalou um ex-lobista da indústria de gado como o chefe do Departamento de Agricultura. Mas esse é um diferente momento promissor para a segurança de alimentos. Ampla atenção da mídia foi dada para a contaminação de espinafre do último outono, que matou três e prejudicou mais de 200 em 26 estados, e para a intoxicação da comida do Taco Bell, que deixou dúzias de pessoas doentes.

E democratas adquiriram novamente o Congresso, que deve ter audiências para chegar ao fim desses recentes desastres de comida e de explorar quais deverão ser os próximos. Isso deverá dar maiores orçamentos para inspeções de alimentos e, como as leis patrocinadas pelos democratas pedem, criar uma única agência federal responsável por segurança de alimentos.
As poderosas indústrias de carne e produção podem contar em chamar seus aliados no Congresso e na Casa Branca para ajudar a resistir. Isso não seria surpresa para Sinclair, que já reclamava em 1906 que Armour & Co. contribuiu com US$ 50.00 para o partido republicano, e que as indústrias de carne contrataram um oficial proeminente do governo “como conselheiro confidencial para problemas de inspeção federal”.
A resposta, acreditava Sinclair, era sempre a mesma: prover para a população americana a verdade de que eles precisam se proteger. “A origem de uma reforma genuína nesse assunto”, Sinclair insistiu, “é uma opinião pública esclarecida”.

Adam Cohen

2.1.07

Prep Kitchen: comida saudável sem trabalho

Patti Coulthard é uma inglesa solteira com uma agenda de trabalho frenética, que adora convidar os amigos para jantares e variar o cardápio em cada ocasião.

Mas, em vez de passar horas em supermercados, mercearias, peixarias e açougues, e depois virar escrava do fogão, ela optou pelo novo conceito de cozinha da Inglaterra - a chamada “prep kitchen”, ou cozinha preparada, da Dinners Made.

A idéia é simples. Você reserva uma sessão numa cozinha impecável, onde seu trabalho se resume a escolher um prato e prepará-lo. Toda a parte chata e trabalhosa fica por conta da empresa: uma ajudante faz as compras, pica ingredientes e lava a louça. No cardápio, cada prato vem com instruções passo-a-passo.

Alguns minutos depois de chegar à Dinners Made em Richmond, a oeste de Londres, Coulthard já está vestida com o kit de avental e luvas de látex e ocupada em temperar filés de peixe com tarragon, dill, pimenta do reino e azeite de oliva.

“Se você não tem muito tempo, isso é simplesmente fantástico”, disse ela à Reuters. “Todos os alimentos são frescos, você sabe exatamente o que está acontecendo, e o sabor é ótimo”.

Menos de meia hora mais tarde, Coulthard vai para casa com seis porções de peixe com creme de pimenta vermelha para seus convidados - enquanto os funcionários da cozinha já estão limpando, lavando e cortando os ingredientes frescos para o próximo cliente.

O conceito de cozinhas preparadas foi introduzido nos Estados Unidos há cerca de cinco anos, e mais de 1.000 cozinhas desse estilo já abriram nos últimos anos.

Cozinha industrial

Os fãs da idéia dizem que é divertido criar quantidades relativamente grandes de comida saudável por um bom preço - a uma média de 3 libras (cerca de US$ 5,90) por pessoa.
Steve Cox, sócio de Lloyd e chefe de cozinha responsável pela loja inaugural da Dinners Made, diz que é uma idéia oportuna que vai preencher um nicho crescente no mercado de alimentação britânico.

Isso por que, segundo ele, o governo britânico quer incentivar formas de alimentação mais saudável para evitar as crescentes ameaças de obesidade e diabetes. “Nosso alvo são as mamães gulosas e profissionais ocupados, mas também, por causa do preço, é uma boa opção para famílias normais que querem comer comida caseira com qualidade de restaurante”, disse ele à Reuters.

“Nossa principal vantagem é que os alimentos são frescos - você pode ver isso, sentir, cheirar, tocar - você sabe exatamente o que foi colocado em cada prato porque é você quem prepara”.
Cox, que também é dono do restaurante Lone Star em Barbados e se define como um consultor de alimentação, rejeita as críticas de que Dinners Made não é nada mais do que uma linha de produção.

“Há também um pouco de aprendizado”, diz ele. “E as pessoas podem experimentar aqui coisas que elas nunca fariam em casa”.

“Temos um suflê de espinafre e parmesão em nosso menu. A maioria das pessoas iria pensar ‘Meu Deus, um suflê! Nunca vou conseguir fazer isso’. Mas você segue as instruções e pode levá-lo para casa para congelar ou prepará-lo na hora”.

29.12.06

De domingo a domingo, 24 horas por dia.... é Dia de Feira!

A feira é um lugar de encontros onde circulam pessoas, moedas, alimentos e sorrisosLugar de colheita fresca e farta que alimenta o corpo e a alma
Lugar de novidades e negóciosLugar de provar, experimentarLugar de companheiros e concorrentes
A feira é um lugar de descobertas das melhores safras No vaivém de pessoas e troca de reais por mercadoriasA frenética correriaE o ecoar das vozes forma uma sonoridade viva e contínuaEm meio a essa melódica balbúrdia, descobre-se frutas, ervas, verduras, que vão para a mesa como um troféu, uma conquistaSensação deliciosa é voltar da feira abarrotado de sacolas e transformar essas relíquias, escolhidas a dedo, selecionadas criteriosamente, para alimentar quem se ama.

Dizem que feira é um lugar de desordem, mas é no meio dessa movimentação que se encontram jóias comestíveis, assim como na vida. Nessa agitação, temos que arrancar raízes, plantar sementes, frutificar, florescer, colher, desfrutar e apresentar, como feirantes, nossas variedades de flores e frutos

Se comida é memória, a feira é o banco de dados autalizadíssimo, depósito confiável de sabor e emoção. Lugar de relembrar o passado, viver o presente e aguardar o futuro.... a colheita, a época certa, assim como na vida.

Que o ano de 2007 seja uma feira livre, diversificada, saborosa, cheia de conquistas esperadas e surpreedentes. Que sejam segundas, terças, quartas e quintas feiras fartas!Que seja o ano de sua melhor colheita sob uma estação constante de abundância. Que sua feira seja aberta a todos, onde se possam dividir frutos e plantar tantos outros. Ah! E não se esqueça de colocar uma pimentinha....


Feliz 2007!

28.12.06

Dia do chocolate e da comida vegetariana

Hoje nos Estados Unidos é dia o dia do Chocolate e da comida vegetariana. Que contraste!

Esse ano tive uma grata surpresa em relação à comida vegetariana ao ler o livro Arqueologia Culinária da Índia, da Fernanda de Camargo- Moro, uma arqueóloga apaixonada pela Índia e por comida. Baseada em suas constantes viagens àquele país a trabalho, ela mapeou a gastronomia indiana de forma envolvente. Através desse livro, passei a admirar esta culinária que pouco conhecia. Fernanda traduziu com tanta paixão esta cultura, que cheguei em alguns momentos a ficar com água na boca com a descrição de certos pratos vegetarianos. O perfume, os sabores frescos, o zelo, a preparação e todo ritual dão aos ocidentais um exemplo da importância de ter firmada sua identidade culinária. Entre as explicações, Fernanda diz que os Jainas são vegetarianos mais rigorosos e que representam apenas 5% da população. Entendi que a culinária indiana é saudável, saborosa e feito por pessoas apaixonadas por sua cultura.

Sobre os vegetarianos, Alexandre Dumas tem uma irônica declaração: ”São os bois os destinados a comer capim e concorrer ao título de boi gordo”.

Qto ao chocolate.... esse é irresitível! Como chocolate quase todos os dias e não me faço de rogada quando vem aquela vontade de fazer brigadeiro e devorar às colheradas na panela mesmo. Tem um livro que saiu recentemente sobre chocolate.... ainda não tive a oportunidade de ler.

27.12.06

Rádio Comida

Olha que idéia bacana! uma grupo teatral lá de Sorocaba (SP) anima as noites da cidade fazendo paródias de tudo quanto é ritmo só que falando de comida. Um barato. Criativo e gastronômico. Assim, Cássia Alho, Caetano Cremoso, Café Ramalho, Sidney Mingau e Batata Quebra Barraco divertem quem vai curtir uma noitada e ser supreende com a atuação de Fernando Kudder (voz), Juan Lomardo (voz e violão) e Alexandre Franklin, o Ovelha, (voz).

Se a pedida é Alceu Valença, o famoso verso “na bruma leve das paixões que vem de dentro”, se transforma em “a clara em neve dá aqui que eu vou batendo”, de Alceu Polenta.E a clássica “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, ganha uma versão mais suculenta: “Eu tô com a panela dos refogados, eu tô cozinhando, vê se não deixa queimar”.

A comida está na arte, é só buscar que encontra.

Quero ver comida no cinema, nas artes plásticas, na dança, no teatro, na TV e em qualquer manifestação artística que tenha como tema o ser humano. Quer sentimento mais viceral do que a fome?




“

15.12.06

Bolo em homenagem a África só para japonês ver

Quem acha que japonês só gosta de comida crua, está muito enganado. Além de demonstrar impecável zelo pela sua alimentação, eles a exibem como verdadeiras jóias, como esta, exposta na loja Hello Kitty.A loja Hello Kitty, localizada em Osaka, no Japão, está vendendo um bolo de chocolate de Natal cravejado com 100 diamantes (cerca de 50 quilates). Com 35 centímetros de altura, o doce foi concebido para representar a África. O bolo exclusivo custa 100 milhões de yens (R$ 1.820.700,00). Para que a homenagem à África seja realmente justa, a renda desta iguaria gastronômica, deveria ser doada para os africanos.

8.12.06

Sushi, o sabor milenar; japão, a gastronomia exemplar

Parafaseando nosso poeta Vinícius de Moraes, que me desculpem os franceses, mas a culinária japonesa é exemplar. A forma como o japonês lida com a comida é fascinante. Até nos pratos mais simples, é possível observar o zelo impecável, que se reflete em todas as atividades. Os japoneses, afinal, são conhecidos pela paciência, perseverança, riqueza nos detalhes e... paixão pela comida. O livro Suhsi, o sabor milenar relata a experiência de um brasileiro que se encantou com com a gastronomia nipônica e se empenhou em compartilhar de forma acessível e atraente a alimentação no japão. Muitas coisas me chamaram a atenção e, se já tinha uma ídéia desse perfil japones, após o livro fiquei convencida de que o Japão é uma grande potência porque tem uma identidade alimentar bem definida e sabe dar valor à sua terra. Temos muito a aprender com eles, não a fazer sushis ou sashimis (pode ser também), mas a levantar a bandeira do que é essencial.

Tudo em um sushi-ya (especializado em sushi) tem relação direta com a comida, tudo pode influenciar e colaborar para criar um ambiente propício a explorar o máximo de sabor.

Desde à escolha dos ingredientes sempre frescos, o corte, a postura do itame-san( preparador de sushi. Sushiman é uma forma americana abominável pelos japas) a forma de preparo dos ingredientes, a apresentação, a alegria em servir, o sincronismo coreográfico dos pratos tem uma razão de ser e me apeteceram. Não sou ainda uma apreciadora rendida desta comida, mas confesso que minha boa se encheu d'água em muitos trechos do livro.

Não vejo a hora de adentrar neste universo fascinante da culinária japonesa. Ainda pretendo me alongar neste tema, mas por enquanto deixo a frase do Sérgio Neville para reflexão: "O prazer e a degustação inteligente, porém, estão na fruição do autêntico, e não no tamanho do prato ou da conta".

E viva a gastronomia nacional!

25.11.06

Monografia gastronômica

Hj finalmente conclui minha monografia gastronômica que fala sobre a influência da TV nos hábitos alimentares e sua importância para alavancar o processo de valorização da gastronomia brasileira como um patrimônio cultural.

Deus é fiel!!!

31.10.06

Afinal de contas, o que é gastronomia nacional?

É a soma de todas as culinárias regionais, uma fabricação natural e simbólica. O Brasil precisa construir a marca da gastronomia e isso é possível independente das regionalidades. Um caminho é fazer pesquisa, alicerçar a base teórica. Precisamos colocar a comida como item de prioridade, inserindo o tema na sala de aula e nos estudos mais sérios.

"Grandes escritores, artistas, filósofos e escritores passaram pela cozinha e esse é o caminho", diz Glória Morales (ex-coordenadora nacional do Patrimônio Cultural do México). Ela destaca que o orgulho do mexicano é a comida e defende que os meios de comunicação devem entrar em campo a favor de Nossa Gastronomia. Glória diz que seu país não deixa morrer o que é tradicional e joga uma pimentinha no prato da França: "o país está sem propostas e esqueceu das raízes de sua culinária".
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TV Britânica procura um apresentador para programa de culinária

A notícia poderia ser comum, se não fosse pelo detalhe de que a emissora brand new Channel 4 show está a procura de um gourme anônimo para sua atração. O candidato deve ser hábil em receitas traicionais e também deve saber criar pratos novos. O nome do programa será Receitas de Sucesso, que será pautado boas receitas e ingredientes inusitados.

O escolhido terá o auxílio de um chef de cozinha que irá desenvolver as receitas do gourmet com produtos de alta qualidade. O anúncio deixa bem claro que não precisa ser um profissional de cozinha. Precisa apenas de apresentar uma receita de sucesso para conquistar a Inglaterra (nossa!). Pode ser a vovó, a dona de casa ou alguém que acredita poder fazer os melhores pratos do planeta.

O anúncio pretencisos é somente para candidatos de nacionalidae britânica. Espero que eles encontrem pessoas apaixonadas assim por comida. Se pudesse ser de outro país, eu me candidataria só para divulgar a mandioca.
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26.10.06

Alimentação ética. Tendência mundial do consumo consciente

Por Luiz Marinho
Fonte: Blue Bus

O setor de alimentaçao está passando por uma revoluçao, impulsionada pelos consumidores que exigem mais produtos orgânicos, frescos e produzidos localmente e de maneira responsável, ou seja, sem a exploraçao dos empregados pelas empresas nem uso de mao de obra infantil.


Esse mercado, que já está sendo chamado de 'Alimentaçao Ética' cresceu 62% desde 2002 e deve continuar se expandindo ainda mais rapidamente nos próximos anos. Pena que eu esteja falando da Inglaterra, onde 1/3 das pessoas estao dispostas a pagar mais por produtos de empresas éticas, segundo pesquisas recentes.

Enquanto isso, aqui no Brasil, nossos consumidores ainda nao se tocaram do poder que possuem nem da importância da ética. Resultado? O consumo consciente ainda está restrito a um punhado de pessoas. Por isso relevamos os erros de algumas empresas, que desrespeitam os direitos do consumidor e insistem em práticas irregulares, em vez de puni-las deixando de comprar seus produtos.

Por outro lado, as empresas socialmente responsáveis podem até obter a admiraçao de alguns, mas seus esforços não costumam ser habitualmente recompensados pelos clientes, no ponto de venda. Sem a pressao da sociedade e dos consumidores, dificilmente veremos progredir por aqui tendências bacanas, como essa. Infelizmente.

Agora, eu

Mas este cenário tende a se reorganizar. O consumo consciente por aqui poderá ser alavancado pela participação ativa da mídia nesse processo. Estimular esses hábitos é questão de vida ou morte. Segundo um estudo publicado pelo grupo ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a população mundial usará duas vezes mais recursos do que o planeta é capaz de produzir dentro de 50 anos. Hoje a população mundial já supera a capacidade da Terra de regenerar recursos em 25%.

Segundo o relatório, cada pessoa ocupa uma "pegada ecológica" equivalente a 2,2 hectares em termos de sua capacidade de poluir ou de consumir energia e outros recursos - inclusive comida-, enquanto o planeta só é capaz de oferecer individualmente 1,8 hectare. O WWF calcula que mesmo uma reversão rápida em hábitos de consumo só trariam o mundo de volta aos níveis de 1980 em 2040.

Nem terrorismo, nem bomba nuclear vai ocupar mais a agenda dos governos do que a crise na alimentação mundial. Sem contar que a desnutrição, que atinge números assustadores, permance por conta de vontade política. E a obesidade que se tornou uma epidemia mundial? Concordo com a Glória: a era do petróleo cedeu lugar para a era da gastronomia.


Ainda não conseguir atualizar com novas informações do congresso! Bendito fast-time!

24.10.06

Gastronomia é patrimônio cultural!

Gastronomia é cultura. E isso não é frase de efeito. É assunto sério que envolve políticas públicas eficientes para tornar a comida – traço mais marcante da identidade de um povo – símbolo nacional e motor do desenvolvimento de um país. Entre os dias 23 e 24, participei do Seminário Internacional sobre Gastronomia Regional, no Senac da Barra da Tijuca (RJ). Representantes de países como Cuba, México, Espanha, Argentina, Portugal e Alemanha estiveram presentes para discutir a alimentação a partir de um produto turístico e cultural.

As participações foram pertinentes, esclarecedoras e estimulantes. Foi produtivo conhecer experiências de outros países que abraçaram a causa e tem desenvolvido ações constantes para preservar esse patrimônio. Um assunto recorrente foi exatamente esse. A gastronomia é um patrimônio cultural e deve ser inserida nesse contexto para que possa provocar mudanças na política, economia, na cultura e sociedade sob diversos aspectos.

No Brasil, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional) tem trabalhado em iniciativas para agregar saberes e sabores ao acervo memorial do país. Através de inventários têm-se documentado práticas e receituários e o objetivo e fazer um mapeamento dos sistemas culinários. O feijão e a farinha já fazem parte da lista. Outras ações como o Museu da Gastronomia Baiana também vêm reforçar a necessidade de arregimentar as bases para a valorização desse patrimônio, que é a nossa comida com toda a sua diversidade.

Mas ainda estamos caminhando. Temos pesquisadores se debruçando sobre o tema, eventos esporádicos, entre outras atividades, mas falta uma colher para mexer esse caldeirão e dar liga a essa produção acadêmica, pública e comercial. Falta um ingrediente que foi citado por vários dos palestrantes e pode contribuir de forma significativa para que a gastronomia seja efetivamente um patrimônio. O que falta é um processo de comunicação eficiente, que se interesse em disseminar conhecimento especializado. Deixo aqui uma pimentinha sobre a participação dos meios de comunicação. Publicações pipocam, sim. Mas o conteúdo ainda deixa a desejar. Não falo de revistas especializadas, estas também podem crescer, mas os meios de massa, que tratam o tema, porém, de sem muitos temperos. Acho a crítica pouco eficaz e reduzida nesse processo. Defendo tratar de temas abordando a comida sob aspectos sociais, culturais, artístitico e de entretenimento.


Como disse Glória López, ex-coordenadora Nacional do Patrimônio Cultural e Turístico no México, se estamos na era da informação, do conhecimento por quê não se apropirar disso para utilizar os recursos naturais de forma inteligente? Glória é uma senhora simpática, falante e tipicamente latina, entusiasta, apaixonada pelo que faz. Sem meias palavras, ela disse que a era do petróleo se esgotou e estamos na era da gastronomia – motor fundamental para o desenvolvimento do país (como já citei). Trata-se de um fenômeno ampliado, que traz bens agregados e reforça o elo de pertencimento.

Ao ouvir pessoas gabaritadas falando sobre meu tema predileto, tenho certeza de que estou no caminho certo e não abro mão de me envolver cada vez mais. Fico emocionada de ver tanta gente capacitada falando da gastronomia como assunto sério. Para mim, sempre foi. Meu desejo é que essa visão seja partilhada, que muitas pessoas descubram a importância da comida em seu cotidiano e a para nossa identidade cultural. Que enxergem a beleza, a poesia e arte inscrita na alimentação. Achie fantásitco quando a Glória falou que os grantes artistas, pintores e filósofos passaram pela cozinha.

Ah, adorei também um termo que ela usou: ecogastronomia, abordando-a como um patrimônio cultural sustentável renovável. Chique, né? Glória defendeu a uma visão interdisciplinar no desenvolvimento sustentável de diversos segmentos sociais. É isso! Este é apenas um pequeno apanhado. Anotei tudo. Fiz bons contatos e fiquei animada para colocar um projeto em prática. Com esses depoimentos, percebi a urgência em dar minha contribuição para a gastronomia nacional. Sem pretensões, mas pautada em pesquisa, conversas e uma paixão arrebatadora. Quem me conhece, sabe. Como jornalista e sabedora da importância da mídia para a gastronomia, me sinto comprometida participar dessa construção. Ainda tenho muitas coisas boas para compartilhar.

10.10.06

Evento do Fórum de Eno Gastronomia

Hj começamos oficalmente a divulgação do evento do Forum de Eno Gastronomia. Somos responsáveis pela divulgação na imprensa e estamos mandado brasa.

Dia 20, tem Dia Internacional do Chef com Aloysio Graça no Hotel Rio Internacional. O Menu está divino e especial. Eu e Carol já provamos e aprovamos. Carol fez as fotos que ficaram muito bacanas e vamos dar uma força na divulgação.

Frase do dia " Até o paladar do homem muda quando ele cai em si" (Juçara Peixoto)

Livro para ler: Sushi: sabor milenar, do Sergio Holzmann.

8.10.06

Enfim, um blog

Antes de começar a publicar meus posts, devo me apresentar. Sou uma jornalista de 29 anos apaixonada por gastronomia. Essa é a minha marca. Não tem quem não me conheça e não saiba dessa paixão. Seja na conversa, no modo de falar, nas escolhas, enfim. Tudo para mim tem um link com a comida. N tem jeito. Seja na literatura, no cinema, na música, nas artes plásticas, na fotografia, na Bíblia e na mídia. N importa. Aonde tem a arte da comida, já fico com água na boca para degustar. É como o poeta. Em tudo há poesia.

A paixão é de pequena, a cozinha sempre foi o meu lugar. A ligação é forte, imponente, irremediável. Escolhi a palavra e a comida para serem os ingredientes que darão sabor a minha vida, que correm na veia como sangue, que pulsam e impulsionam. A comida e palavra têm uma relação incrível. Ambas trazem vida, transformam. Segundo o escritor Rubens Alves, assim como cozinheiro precisa dosar e combinar ingredientes, o escritor precisa fazer o mesmo com suas palavras para que elas produzam o efeito desejado. Não é mágica, é precisão, conhecimento, experiência. Sobrenatural é o efeito provocado em quem recebe uma palavra ou uma comida executada com tal planejamento. Cozinha é memória. E a minha é avivada através de cheiros, gostos, sabores e texturas.

Para compartilhar minha paixão, encontrei uma parceira, que tem o mesmo desejo de transformar. Impregnar as coisas a sua volta com um olhar artístico, único, exclusivo que revela, desnuda o valor do cotidiano, do trivial, do que já se tornou comum, mas que reúne uma beleza que talvez traga à tona o que realmente faz sentido.

É essa dupla que idealizou a Malagueta, um ingrediente que vai completar qualquer receita. Queremos compartilhar neste espaço a paixão, as vitórias, as andanças, as aventuras de duas jovens jornalistas em busca da realização profissional através de algo que inspire, transpire, floresça, contagie...

Esse é o começo de um trajetória que será marcada de muitas vitórias. Estamos semeando, platando e em breve vamos colher muitas pimentas!